Referências Importantes

21.6.09

Devaneios

O sol nasce ao amanhecer,
E se pöe ao anoitecer.
Vejo reflexos e raios despontando no horizonte,
Eles brilham nas folhas da árvore.
E me lembram
Que o sol esta ali
Trazendo para mim
E para o mundo em que vivo
E para todo o universo
A luz resplandecente do sol
Que brilha sem cessar.
A luz já vai se pondo,
Vai dando lugar à noite que vem chegando
Escura e fria.
Como toda a noite
Mas ele me deixa a esperança
Que retornará de novo no amanhecer
Que despontará da aurora de amanhä.
Mas eu preciso saber,
E ter por certo que ele vai voltar.
Mas, que antes de voltar,
Terei que passar pela escuridão
Fria e escura solidão.
Que vem com a noite.

Ela passa, eu sei
Mas enquanto estou nela
Eu temo
Me desconsolo
Me perco
Me deito.
Com medo, angústia e pesar
A noite é como a morte que vai passar.
Ela chega e passa
Não há perigo
Nem nada
Mas pela sua falta de luz
Me faz desesperar
E me faz chorar...
Escandalizar, murmurar
Me abandonar.
Mas a luz,
Essa, com certeza vem.
Essa vem, com toda sua força,
Com toda sua energia
E cheia de alegria,
Muito calor para dar.
Ela me espera,
Enquanto descanso durante a noite.
Na verdade a luz não se apaga:
Nós é que não a vemos,
Mas ela está aí.
Bem brilhante,
Com todo seu calor para dar.
Mas nós
Para crescermos,
Temos que aprender a ficar longe da luz.
Para que possamos, mesmo longe dela,
Saber que somos filhos dela,
Dessa luz.
Que não cessa de brilhar,
E que se esconde aos nossos olhos
Por um período de tempo.
O tempo necessário.
O tempo que precisamos ficar longe dela.
Para que mesmo longe dela,
Recordemos isso:
O mais importante:
Que pertencemos a ela.
E que a escuridão,
É aquela vez e toda vez,
Em que nós nos afastamos da luz.
Não para estarmos longe da luz,
Mas ficamos de costas para a luz,
E perceber que sem ela, é impossível se enxergar.
Sem ela é impossível que tenhamos vida.
Que sem ela somos nada
Sem a luz não podemos nada
Não somos nada
E ela é quem nos calenta
E permite que enxergamos o caminho.

A escuridão não existe
Ela é a falta de luz
Quando nos viramos da luz
Ela não deixa de existir
Porque ela é eterna
Por quanto a escuridão não
Ela não pode senão subsistir
Sem que haja luz
Porque ela é a ausência da luz.
Alguém enxerga sem luz?
Os cegos enxergam sem luz

Mas o seu enxergar é outro

Bem diferente do meu
E do seu
Que aqui
Podemos ler
Nós precisamos dessa luz
Mas eles, não
Assim como os cegos
Devemos enxergar diferente
Enxergar com outros olhos
Os olhos da alma
Que impulsa nosso espírito.
A esses nós não enganamos
A esse não titubeamos
O problema maior
É a nossa ceguez
O nosso querer ser cego
Pois o pior cego é aquele que não quer ver
Aquele que não quer enxergar aquilo que ele mesmo já compreende.

Já vimos com os olhos
Já vimos com o coração
Nossa mente já processou tudo isso
E se tem alguém que está enganado
Esse alguém sou eu mesmo
É você mesmo.
Nós nos enganamos
Nós nos injuriamos
Nós nos fazemos de que não vemos nem enxergamos
Aquilo que está ao nosso lado
Bem mais do que lado
Está em nosso interior
O nosso eu próprio
Que não se deixa enganar porque já sabe de si

Soberba
Quanta soberba achar que se sabe tudo, não?
Como somos soberbos conosco mesmos
E vemos tudo como se fosse um filme
Como se fosse algo irreal.

Acorda
O dia que já terminou
Está fora de nosso alcance inevitavelmente
A noite já chegou
E a luz já se foi
Nos armamos de luzes e fontes artificiais
Só para não deixarmos que o vazio e a escuridão
Que já são mais que eminentes
Chegar, porque na verdade, já chegaram
E fazem seu reino, às escondidas da luz
Que não está escondida, mas está lá
E não deixa de brilhar
Mas estamos de costas para ela
Que continua a brilhar
Estamos virados para a escuridão
Para a hora das trevas
Para a noite
Para a morte
Nos viramos para a morte
E só enxergamos trevas
Sombridäo
Castigo
Terror.

Dura muito tempo a noite
Daqueles que estão desesperançados
Angustiados
E não têm para onde ir
Não têm, porque
Em algum momento de suas vidas
Tiveram que fazer uma escolha
E, não sei qual foi essa escolha
Mas escolheram
E deram partido a algo grande e maior que viria em suas vidas
Não sei onde nem quando, nem o porquê dessa escolha
Mas escolheram
E agora estão aí

Mas não se apodere das coisas
Pois a noite também vem para você
Vem pra mim
Quizá tenhamos para onde ir
Quizá não
Mas isso não importa.
A noite vem igual
E vem com a mesma falta de luz para todos.

Mas o que se faz com isso?
O que eu faço com isso?
O que você faz com isso?

Não sei...
Por você...
Sei por mim...
Talvez não o saber essencial
Talvez näo o melhor saber
Mas assim como todos, sabemos sim o que fazer
Por mais que não tenhamos coragem para isso
Ou queiramos negar

Sou jovem
O que sei da vida?
Sou velho, como vou mudar minha vida?
Sou novo, ainda não posso falar da vida...
Sim e não.
Não e sim.

Bendita, ou mal...
É essa
A liberdade
Que todos temos
E somos
E é plena
Completa
Perfeita
Possibilidade, talvez?
Quem é você?
Quem sou eu?

A noite ocorreu e a luz já vai aparecer
Brilhante e radiante
Ofuscante, encantantadora
Vem de novo para os dois
A mim e a você
Ao jovem e ao adulto
Ao velho e a criança
Ao pai e ao filho
À avó e à neta.