| O Quilombo dos Palmares distribuía-se por cerca de 60 léguas quadradas na Serra da Barriga, desde a altura de Porto Calvo até às barrancas do Rio São Francisco, no atual Estado de Alagoas. Historiográficamente, SOUZA (1885) é o primeiro a relacionar esta defesa, que classifica como trincheiras, descrevendo-lhe estrutura e histórico (Op. cit., p. 90). GARRIDO (1940), segue-o, a contragosto, citando-o simplesmente e explicando preferir não computar esses entrincheiramentos entre as estruturas de defesa fixa permanente do Brasil (Op. cit., p. 82), com o que BARRETTO (1958) parece ter concordado tácitamente, não os mencionando em sua obra. Ao final do século XX, os estudos sobre o Quilombo dos Palmares multiplicaram-se, lançando mais luzes sobre esse capítulo da História do Brasil. Composto por onze aldeias ou "mocambos", cada uma com sete quadras, dispostas em torno de uma quadra central onde residia um chefe escolhido por eleição, os seus primeiros habitantes foram cerca de 40 escravos evadidos de um engenho no sul da Capitania de Pernambuco em fins do século XVI. Tomou nome das matas de palmeiras abundantes no local, e recebeu impulso a partir de 1630, quando para aí se deslocam os escravos fugidos dos engenhos de Pernambuco e da Bahia, envolvidos na Guerra Holandesa (1630-54), chegando a computar cerca de 20 mil almas no seu auge. Foi atacado repetidas vezes - Domingos Bezerra, 1602; Rudolf Baro, 1644 (BARLÉU, 1974:304-305); Manoel Lopes Galvão, 1675; Fernão Carrilho, 1676-77; e outros -, sem sucesso, mesmo tendo sido destruídas algumas aldeias. Após a capitulação holandesa (1654) as autoridades pernambucanas tentam medidas diplomáticas para a dissolução pacífica do estabelecimento. Em 1678, Ganga Zumba, líder de Palmares, vai até Recife firmar um pacto de paz com o governador da Capitania, Aires de Souza de Castro, mas a proposta de conceder liberdade apenas aos que haviam nascido no quilombo dividiu os quilombolas. Zumbi, líder da resistência ao acordo, tornou-se o novo chefe de Palmares. Desse modo, o governador da Capitania de Pernambuco, João da Cunha Sotto-Mayor, contratou em 03/mar/1687, os serviços do bandeirante Domingos Jorge Velho (c. 1640-1704), para o extermínio dos aldeamentos em troca de munições, mantimentos, escravos, sesmarias e perdão para os crimes dos embandeirados. O primeiro assalto, sem sucesso, ocorreu em dez/1692, com 1.000 homens (brancos, indígenas e mestiços), detidos por uma cerca tríplice, de vegetação trançada, com um perímetro de cerca de 5,5 Km, repleto de armadilhas com estrepes e estacas afiadas. Uma nova expedição obteve sucesso, partindo em jan/1694, integrada por 3.000 homens (sob os comandos de Bernardo Vieira de Melo, Sebastião Dias, Matias Cardoso de Almeida e Cristóvão de Mendonça Arrais) com seis peças de artilharia. Destruiu o quilombo e perseguiu um grupo remanescente de cerca de 600 quilombolas até à morte em combate do líder Zumbi (20/nov/1695) na Aldeia do Macaco. A cabeça de Zumbi, decapitada e salgada por André Furtado de Mendonça, ajudante-de-ordens de Domingos Jorge Velho, foi levada ao governador da Capitania de Pernambuco, Caetano de Mello Castro, e exposta em praça pública. Sobre o feito, o próprio Domingos Jorge Velho relatou: "(...) Certifico que assistindo neste Sertão do Palmar fazendo guerra aos negros levantados que nele habitam vendo-os fortificados com uma cerca tão grande e com inumerável poder deles juntos dentro dela, me foi forçoso pedir ao Senhor Governador (...) me socorresse com gente para poder de uma vez acabar com os ditos negros (...). Certifico que assistindo neste sítio e cerco em que impus aos negros levantados do Palmar depois de estarem em sítio 22 dias no último em que se contavam os ditos vendo-se o dito Negro orpimidos do dito cerco se resolveu a romper com todo o risco abalroando por duas partes (...) os rechaçou por estilo que os fez obrigar a despenharem-se por um rochedo tão inopinável que os mais deles pereceram e se despedaçaram pelo dito rochedo (...). E no tal dia ainda se lhe estreparam dois homens do alcance do dito inimigo em cujo alcance se mataram mais de duzentos negros e se aprisionaram perto de quatrocentos (...). Certifico que depois do sítio em que pus os Negros do Palmar na última desesperação, da qual se urgiu a sua total destruição (...). Oitero do Barriga nove de Fevereiro 1694 anos. Domingos Jorge Velho" (in: RIBEIRO, Darcy; MOREIRA NETO, Carlos de Araújo. A Fundação do Brasil. Petrópolis: Vozes, 1992. p. 299) A título de curiosidade, o bispo de Pernambuco, D. Francisco de Lima, assim descreveu o bandeirante, em 1697: "(...) Este homem é um dos maiores selvagens com que tenho topado: quando se avistou comigo trouxe consigo Língua, porque nem falar [português] sabe nem se diferencia do mais bárbaro [índio] Tapuia, mais que em dizer que é Cristão, e não obstante o haver-se casado de pouco, lhe assistem sete índias Concubinas, e daqui se pode inferir, como procede no mais; tendo sido a sua vida desde que teve uso de razão / se é que a teve, porque se assim foi, de sorte a perdeu, que entendo a não achará com facilidade / até o presente andar metido pelos matos à caça de índios, e de Índias, estas para o exercício das suas torpezas, e aqueles para os granjeios dos seus interesses (...)." (Op. cit., p. 299) http://fortalezasmultimidia.com.br/fortalezas/index.php?ct=fortaleza&id_fortaleza=32 http://www.palmares.gov.br/ http://serradabarriga.palmares.gov.br/ http://www.shockwave.com/gamelanding/capoeirafighter.jsp |
21.11.11
Sobre o Quilombo
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