Interpretar o fenômeno juvenil é algo complexo, existe uma diversidade muito grande de formas de pensar e agir. Ao mesmo tempo, que a juventude é marginalizada pela sociedade, se torna heroína pelas maneiras de manifestar esta fase maravilhosa da vida.
São nestas manifestações de vida que ouvimos os gritos desta juventude, muitas vezes ferida, pelos preconceitos, pelos padrões estipulados pela sociedade, pelas cobranças do “mundo adulto”, pela alienação imposta por um sistema que corrói, pela necessidade de garantir um futuro e não conseguir viver o presente.
Estes jovens que na afirmação de sua identidade buscam pessoas nas quais possam encontrar apoio, incentivo, compreensão, uma verdadeira amizade, “cúmplices” de sua trajetória de vida. Para a Pastoral da Juventude a missão do Assessor (a) é ser esta pessoa que a juventude procura.
Ser um assessor (a), um acompanhante de jovens, de grupos juvenis é um ministério, um dom, uma opção de vida.
Ser assessor (a) é bem mais do que apenas “gostar de jovens”, como muitos dizem por aí. Acreditar, fazer uma opção de vida, ser cativado e cativar são alguns dos pilares do verdadeiro acompanhante de jovens.
Torna-se necessário e importante refletir que o jovem não precisa de um “instrutor”, ou seja, alguém que impõem regras e padrões de vida.
O jovem precisa de pessoas que saibam ouvir, mas não somente com os ouvidos e sim com o coração, que saibam intervir no momento certo, de forma reflexiva, questionadora. Somente quem ama consegue realizar este exercício, o Assessor (a) é alguém que ama e em conseqüência é amado.
Ninguém nasce assessor (a) ou se torna por acaso, por decreto. Assim como toda a missão, existe o momento da descoberta, onde a pessoa olha para a realidade juvenil, ouve seus clamores, se alegra com suas conquistas e sente-se chamando a estar junto a este grupo tão expressivo da sociedade.
Depois vem o discernimento, o descobrir o seu papel, sua função. Ele (a) não é aquele que coordena a juventude e sim que assessora, que reflete, anima, caminha junto. Partindo para a ação, não como apenas mais um participante, mas alguém que efetivamente está acompanhando o jovem como indivíduo e também como comunidade, como grupo. Garantindo principalmente que o Processo de Educação na Fé aconteça significativamente na vida de cada um que está próximo.
Este processo não tem tempo determinado para ocorrer, ele exige muita formação, discernimento, sensibilidade e principalmente uma opção.
Muitos são os gritos dos jovens em relação a assessoria, ao acompanhamento. A Igreja de todo o Brasil sente a necessidade de ir ao encontro destes gritos, mas ao mesmo tempo tem muita dificuldade em formar pessoas para este ministério da assessoria.
Chega o momento de a Igreja refletir como pode se organizar referente a este assunto. É urgente que a Igreja como um todo se una para despertar o desejo de acompanhar a juventude. Cative pessoas que acreditem e façam a opção do acompanhamento, não só para exercer uma função destinada, mas porque realmente deseja a Vida da Juventude em todos os sentidos.
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Aparecida Montana, assesora da PJ Passo Fundo
fonte: http://www.pastoral.com.br/materiais/jovens.html